sexta-feira, 8 de julho de 2011

Começa o aprendizado de verdade!

Engraçado. Quando eu entrei no sabagi pra fazer meu santo, eu achei que fosse aprender tudo nos cerca de 21 dias que se passa lá dentro. Ledo engano.
Na verdade, quando saí, fiquei meio frustrada por não ter aprendido o tanto que achei que deveria. Achei que ninguém quis me ensinar nada.

No mês passado minha Iá me perguntou se eu poderia ser mãe de cria de uma abiã que iria se recolher. Aceitei, pedindo que ela estivesse comigo sempre para me orientar. E desde o dia 4 de julho de 2011 eu estou ensinando o que eu aprendi para vodunci filha de Oxum.
Ah, o mais intrigante foi que no segundo dia minha mãe me chamou num canto e falou: "Dofona, eu estou entregando a iaô na sua responsabilidade, e quero ela pronta daqui a 21 dias." Eu gelei!!! E agora?
Depois de 1 ano e meio desde a minha iniciação eu já tinha que passar tudo o que aprendi! Aí veio a minha surpresa maior: Eu tinha tanta coisa pra ensinar pra iniciante que eu tive que pegar meu caderno com todas as anotações pra lembrar de tudo... Ué? Mas eu achei que não tinha aprendido nada?!

Finalmente o meu real aprendizado está começando, por que é ensinando que eu estou aprendendo mais e mais cada dia. E ainda aprendo coisas novas também!

Rora Yeyêo!!! Arroboboi!!!

Salve meus Voduns que tem toda a paciência comigo e que me guiam e protegem 100% do tempo!!!

Vamos ver como a Iaô vai se sair no sábado próximo. Será o primeiro ritual de roncó pelo qual ela passará. Estou nervosa! Ai minha Mãe Oxum!

Assim que eu puder, já postarei como foi. Vou ver se posto uma foto.

=)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

ÔÔÔGUM!!!


DIA: Terça-Feira

CORES: Verde ou Azul-escuro, Vermelho (algumas qualidades)

SÍMBOLOS: Bigorna, Faca, Pá, Enxada e outras ferramentas

ELEMENTOS: Terra (florestas e estradas) e Fogo

DOMÍNIOS: Guerra, Progresso, Conquista e Metalurgia

SAUDAÇÃO: Ògún ieé!!

Ogum (Ògún) é o temível guerreiro, violento e implacável, deus do ferro, da metalurgia e da tecnologia; protector do ferreiros, agricultores, caçadores, carpinteiros, escultores, sapateiros, talhantes, metalúrgicos, marceneiros, maquinistas, mecânicos, motoristas e de todos os profissionais que de alguma forma lidam com o ferro ou metais afins.

Orixá conquistador, Ogum fez-se respeitar em toda a África negra pelo seu carácter devastador. Foram muitos os reinos que se curvaram diante do poder militar de Ogum.

Entre os muitos Estados conquistados por Ogum estava a cidade de Iré, da qual se tornou senhor após matar o rei e substituí-lo pelo seu, próprio filho, regressando glorioso com o título de Oníìré, ou seja, Rei de Iré.

Não é por acaso, portanto, que nas orações dedicadas a Ogum o medo fica tão evidente e a piedade é um pedido constante, pois como diz uma das suas cantigas:


Ògún pá lélé pá
Ògún pá ojaré
Ògún pá, ejé pá
Akoró ojaré.

Ogum mata com violência
Ogum mata com razão
Ogum mata e destrói completamente.


Ogum é o filho mais velho de Odudua, o herói civilizador que fundou a cidade de Ifé. Quando Odudua esteve temporariamente cego, Ogum tornou-se seu regente em Ifé.

Ogum é um orixá importantíssimo em África e no Brasil. A sua origem, de acordo com a história, data de eras remotas. Ogum é o último imolé.

Os Igba Imolé eram os duzentos deuses da direita que foram destruídos por Olodumaré após terem agido mal. A Ogum, o único Igba Imolé que restou, coube conduzir os Irun Imole, os outros quatrocentos deuses da esquerda.

Foi Ogum quem ensinou aos homens como forjar o ferro e o aço. Ele tem um molho de sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda o homem a vencer a natureza.

Em todos os cantos da África negra Ogum é conhecido, pois soube conquistar cada espaço daquele continente com a sua bravura. Matou muita gente, mas matou a fome de muita gente, por isso antes de ser temido Ogum é amado.

Espada! Eis o braço de Ogum.

Características dos filhos de Ogum

Fisicamente, os filhos de Ogum são magros, mas com músculos e formas bem definidas. Compartilham com Exu o gosto pelas festas e conversas que não acabam e gostam de brigas. Se não fizerem a sua própria briga, compram a dos seus camaradas.

Sexualmente os filhos de Ogum são muito potentes; trocam constantemente de parceiros, pois possuem dificuldade de se fixar a uma pessoa ou lugar.

São do tipo que dispensa um confortável colchão de molas para dormir no chão; gostam de pisar a terra com os pés descalços. São pessoas batalhadoras, que não medem esforços para atingir os seus objectivos, são pessoas que mesmo contrariando a lógica lutam insistentemente e vencem.

Não se prendem à riqueza, ganham hoje, gastam amanhã. Gostam mesmo é do poder, gostam de comandar, são líderes natos. Essa necessidade de estar sempre à frente pode torná-los pessoas egoístas e desagradáveis, mas nem sempre.

Geralmente, os filhos de Ogum são pessoas alegres, que falam e riem alto para que todos se divirtam com suas histórias e que adoram compartilhar a sua felicidade.

terça-feira, 22 de março de 2011

Foi com Deus Pai Zezinho da Boa Viagem

"Meu nome é Felicidade!" Era assim que ele se referia a si próprio. Sempre seguido de uma boa gargalhada.
Vô Zezinho da Boa Viagem, como eu carinhosamente o chamo, sempre era sorrisos. Com seus 86 anos, dançava como um menino no barracão de meu pai todo o ano na obrigação de Pai Averekety. Sorria para todos, cantava como se estivesse literalmente na presença dos Voduns, louvando-os como poucos. Sério e rígido quando o momento exigia, nunca ouvi uma palavra negativa, depreciativa, desanimadora. Nos toques, era a felicidade em pessoa!


Vô Zezinho esteve de surpresa num almoço na casa de Mãe Lourdes de Oxum, em Caruaru. "Vou levar uma surpresa", disse Pai Israel ao telefone. "Prepare uma feijoada com tripa de porco e carne com quiabo." Quando Vô apareceu na porta, mãe Lourdes quase teve um treco! Todos nós ficamos surpresos, radiantes, e o sorriso dele ao entrar só nos fez sentir um amor imenso vindo dele.

O amor de Vô Zezinho era estendido a todos, sem exceção. Quem torcia o nariz pra ele, só perdia. Quem o recebia com amor, só ganhava, e ganha até hoje.

Seu carinho será sentido para sempre por aqueles que o conheceram, conviveram e o amaram.

Que Oxum continue derramando seu amor a todos os seus órfãos.

Vá em paz, querido Vô.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Candomblé unindo nações e crenças



Dia 23 de Janeiro de 2011 o Palácio de Oxum realizou a Lavação da Igreja do Morro Bom Jesus, uma cerimônia que se repete há 10 anos. Junto com o Toque de Oxalá e a saída do Vodun Frekwen, a Lavação da Igreja do ponto mais alto da cidade fez história em Caruaru.

Semelhante ao que aconteceu na missa afro em Dezembro do ano passado, rezada na Igreja da Praça do Rosário pelo Pe. Vilmar da Pastoral Carcerária de Recife, os atabaques entraram na igreja e tocou-se um xirê. Desta vez, lá dentro se deu o Toque de Oxalá. Mãe Oxum esteve presente para prestigiar a festa e mostrar que para os Orixás/Voduns/Inkisses não há religião e sim, fé.

A repercussão se deu na cidade inteira, fazendo com que membros de outras religiões parassem para pensar em serem mais tolerantes e menos preconceituosos quanto às religiões de Matriz Africana.

Parabenizo minha Mãe Lourdes de Oxum, que com 67 anos não se intimidou com a escadaria do morro, subindo cada degrau com devoção. E quem seria insano o suficiente para impedi-la do seu intento?

Contamos também com a presença de Pai Israel do Terreiro dos Palmares, do Mejitó Diógenes de Becém e sua esposa Doné Cristina de Oxum, além de Mãe Lia de Ogum Massá.

Que Deus, os Orixás, os Voduns e os Inkisses sempre lembrem a seus filhos e fiéis o quanto é importante a COEXISTÊNCIA dos povos e das crenças.

Axé!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Um ano se passa...



É... faz um ano desde a minha última postagem. Meu período de aprendizagem apenas começou.


Completou um ano desde a minha feitura. Neste ano, aprendi, chorei, ri, me decepcionei, me orgulhei, elogiei, critiquei mentalmente minha própria religião.

É, pq mesmo acreditando, tendo motivos pra ser o que sou, não deixo meu espírito crítico de lado.

Um olho no peixe e outro no gato, como diria minha mãe, mas sempre em frente!

Obrigada a todos por estarem junto comigo nesta caminhada... longa caminhada.

Decidi neste período que vou escrever sobre qualquer assunto. Tudo o que eu achar válido escrever sobre. Espero que tenha gente pra ler...rs

Axé!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Por que sou do "povo do azeite"


Embora eu tenha encontrado uma religião que satisfaça meus questionamentos espirituais, físicos e mentais, não aposento nunca meu senso crítico sobre o que faço e por quê.
E em meus primeiros questionamentos religiosos quando criança, sempre surgia um: Por que há pessoas que aprendem a fazer o que é correto, porém prefere não praticar? Por que há "espíritos de porco" dentro de uma comunidade onde a proposta é sempre fazer o bem e melhorar como seres humanos? E um dos motivos pelo qual eu abandonava a religião do momento era justamente por causa das pessoas, dos irmãos na fé.
Daí, quando eu me interessei pelo candomblé, também entrei achando que encontraria pessoas melhores, de altos padrões mentais, e que sempre visariam o bem comum.
Pois é... algumas coisas demoramos pra aprender. E no candomblé não é diferente de nenhuma religião ou comunidade. Há os famosos "aturáveis" e que temos que engolir com muito dendê pra descer mais rápido. Mas em que sentido?
Quando eu estava em outras religiões, as pessoas incomodavam pelo lado pessoal, ou seja, sempre algo que me atingia pessoalmente. Mas todas sempre recebiam os novatos com sorrisos, solicitudes e muito "amor cristão". Tanto é que se qualquer um que visitar uma igreja, templo ou casa de oração, será muito bem recebido, com raras excessões.
Mas por que no candomblé os novos que se destacam são tão hostilizados? Por que não há o júbilo pelo noviço?
Meu avô de santo sempre diz que pra ele é uma alegria imensa ver um vodunci de kelê no pescoço pq isso mostra que nossa amada religião continua no processo de renascimento, e nunca cairá no ostracismo. Mas pq essa atitude é a exceção, e não a regra?
Daí, eu me pergunto: Por que sou do povo do santo? Por que sou candomblecista? Será que minha mente se calejou e aceita tudo?
Uma das grandes maravilhas do candomblé é que não há bíblia, livros doutrinais nem uma forma única e definitiva de se viver no santo. Cada pai ou mãe de santo leva sua casa da forma que acha ser correto, claro que dentro dos preceitos da nação à qual ele ou ela pertence. E isso é fantástico! Se conhece um caráter e dignidade de um pai ou mãe de santo pela maneira como a casa é dirigida. E o respeito para com os Voduns vê-se na porta de entrada. E sou simplesmente fascinada pelo modo como meu pai de santo leva a casa dele. Ele, consagrado ao Vodun Averekety, perfeccionista e detalhista ao extremo, passa pela alcunha de ditador e rígido com seus Voduncis, Ogãs e Ekedis. É. E ele é muito rígido! "Bico seco" como se diz por aqui. E a casa dele é algo de se orgulhar! Sou consagrada ao Vodun Frekuen pelas mãos dele e da minha mãe. E acato suas regras e direcionamentos absolutamente sem questionar, pq sei que com seus mais de 30 anos de santo (jovem comparado à muitos pais de santo), é tão sábio e firme e totalmente seguro de tudo o que faz.
E com isso não estou dizendo que na casa do meu pai não tem problemas. Claro, onde há pessoas diferentes convivendo regularmente, há problemas. Mas quando eu trabalho lá, das 05h30m até as 22hs, vou dormir exausta e com um sorriso no rosto. Sou novata, muito novata. Mas sou tratada com tanto carinho e delicadeza que, pra mim, é sempre um prazer estar com meu pai e meus irmãos e tios de santo. Sou aprendiz de um grande Doté, e meus irmãos bebem da mesma fonte.
Esse é o diferencial. Aprendermos e praticarmos.
Ser do "povo do azeite", como meu avô carinhosamente apelida os candomblecistas, é uma alegria! Viver no santo é revigorante!
E embora os seres humanos teimam em tentar estragar tudo, os Voduns tratam de nos manter sempre alegres e cheios de Seus Axés para não nos desviarmos do foco, a saber, sempre buscar a evolução do nosso espírito e do nosso irmão.
Eu amo minha religião. E esse é mais um diferencial do candomblé. Estou lá por que amo meus Voduns, não por que serei salva de uma destruição catastrófica.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Queda do Kelê



Puxa vida! Mais um ciclo se encerra. A queda do meu kelê será nos dias 08 e 09 de Fevereiro. Fim dos preceitos mais sérios. E graças ao meu Vodun Frekwen, correu tudo bem.
Agora é só continuar a caminhada, o aprendizado, e tudo o mais que se conquista na vida dentro de um Axé.

Toda longa jornada começa com um simples passo. E eu já dei os dois primeiros!

Ahoboboi!!!
Rora yeyèo!!!
Kawô Kabiecilè!